quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pré-conferência da música e hip hop - Não está fácil, mas nem difícil

A biblioteca pública acolheu diversos músicos gravataienses na noite de segunda-feira (30/05). Rodeados de livros, artistas musicais dos mais variados estilos, entre eles o hip hop, promoveram uma das maiores pré-conferências até então realizadas. O evento contou com a presença do coordenador estadual do Instituto da Música, Santiago Neto, que relatou experiências de diversos projetos em benefícios aos músicos e pontou temas para debates como a lei do direito autoral, ordem dos músicos e ECAD.

Foram poucos participantes que afirmaram viver exclusivamente da música. A grande maioria relatou ter outra fonte de renda, pois só com a música não é viável sobreviver. Além disso, houve um festival de lamentações. Muitos criticaram a divulgação da Fundarc nos eventos, pois não teria resultados com o público. Outros reclamaram as casas noturnas da cidade que não abrem espaço para os músicos locais.

No momento de fazer a auto-avaliação, os músicos perceberam que as dificuldades enfrentadas têm haver com atitudes equivocadas e a falta de união do segmento. Reconheceram a pouca representatividade da associação dos músicos de Gravataí, a qual é depositada todas responsabilidades sobre sua diretoria, e a falta de unidade de seus membros. Os representantes do Hip Hop exclamaram a existência de poucos espaços para apresentações, que não há oficineiros que disseminem a cultura e que ações como grafite e street dance praticamente não existem em Gravataí.

Propostas sugeridas
Foi citado que a estrutura do Quiosque, no Centro da cidade, seja um espaço democrático para os segmentos culturais, o qual deverá ser um ponto de integração e articulação dos músicos, além da criação de centros de referência cultural direcionados aos bairros. A qualificação na elaboração de projetos foi apontada como necessária.

O grupo aproveitou para buscar um nome que fosse indicado ao Conselho Municipal de Cultura, surgiram nomes e apoios, com a condição que de o conselheiro deve olhar para todos os estilos musicais, sem distinção.
______________________
Por muitos anos fui um músico nesta cidade. Essa é a setorial que eu mais me identifico e posso argumentar sobre o tema com mais tranquilidade. Apesar de não viver mais os espaços musicais de Gravataí, muitos dilemas continuam os mesmos. O produtor e músico Neno Bass foi muito feliz com a citação de falta profissionalismo nas apresentações musicais. Concordo que tem gente que toca desafinado, faz apresentações desastrosas e sem uma postura de palco que realmente demonstre uma concepção de espetáculo.

Neste ponto, questionei o grupo querendo saber onde está o público. Afinal, se um evento que a Fundarc promove dá pouca plateia, será culpa da divulgação? Se uma banda participa de um evento público e não consegue mobilizar um número simples de pessoas, vamos sugerir o número de 100, ao meu ver alguma coisa está errada. Ou a relação da banda com seu público é falha, ou pior, não tem público. Sendo assim, como esse músico quer cobrar que casas noturnas o deixe tocar no estabelecimento?

Neste sentido, vejo como prioritário a banda ter uma visão de relação com seu público. Em termos comerciais a plateia é o cliente e a música e o show são os produtos oferecidos. Escrevo aqui o que disse na pré-conferência – uma banda que tem grande público desperta o interesse da casa noturna, do produtor, da rádio e de apoiadores. A tarefa não é fácil, mas juntem as bandas, misturem os públicos. Como disse o poeta – o artista vai onde o povo está!

Nenhum comentário:

Postar um comentário