Fiquei feliz em conhecer a sede do clube Seis de Maio, no bairro Oriçó. O clube fundado em 1956 tem o caráter de difundir, socializar e propagar a cultura afro-brasileira em Gravataí. O local não poderia ser melhor para ser realizada a pré-conferência do tema, na noite de terça-feira (31/05). Participantes das diversas frentes culturais contribuíram no evento. Representantes da capoeira, escolas de samba, religião de origem afro, artistas cênicos e outros, avaliaram a situação buscando soluções que transcendam a realidade atual.
Acredito que a maior dívida que o Brasil possui é para com a sua população negra. Foram 400 anos de escravidão os quais enriquecerem os milhares de senhores da “boa linhagem”. A dívida é muito mais que material, é moral. O sofrimento que essas pessoas tiveram é incalculável. A abolição da escravatura só trocou o sofrimento dessa população. A dor do chicote foi substituída pela da sobrevivência, na qual não tinham nenhuma regra em benefício. Alguém sabe me dizer qual propriedade tinha os libertos? Para onde eles foram morar e trabalhar. A origem da maior idade surgiu justamente porque nos anos pós abolição milhares de crianças negras eram presas por estar roubando frutas ou alimentos para comer. Faltou prisão.
Enfim, não vou mais entrar no mérito pois a injustiça me revolta, e agora o foco é a pré-conferência afro-brasileira. Uma das reivindicações apontada foi a aplicação da Lei Federal 10639/03 – que estabelece a inclusão no currículo da rede de ensino a temática "História e Cultura Afro-Brasileira”. A Assessoria de Políticas Públicas para o Negro, da Prefeitura, esteve presente e garantiu que a rede municipal será atendida em breve com o novo conteúdo. Segundo o grupo, a revelação dos fatos históricos do negros representa uma forma de maior esclarecimento à toda população, a redução e até o fim da descriminalização e a consolidação de uma história brasileira mais verossímil. Neste sentido, foi proposto a elaboração de um livro que registre a história dos negros de Gravataí.
Clique no link e veja a Lei na íntegra - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.639.htm
Os relatos apontaram que eventos e atividades promovidos por entidades de representatividade negra recebem poucos auxílio do setor privado, e que na maioria das vezes, dão prejuízo em razão de ter só com o apoio da classe, que possui pouca renda para os gastos sociais. O mesmo acontece com as entidades, que possuem pouca estrutura devido contar apenas com as doações de seus participantes.
Houve propostas de realização de diversas qualificações, desde a elaboração de projetos para captação de recursos e convênios, oficinas de capacitação de mão-de-obra como a confecção de artesanatos afro-brasileiros, como forma de geração de trabalho e renda. Essa concepção foi referendada quando um participante disse “o sistema vai beneficiar os que tiverem melhor organizados”.
Assim, o movimento percebeu que os sub-grupos culturais como capoeira e religião afro, que envolvem música, dança e história, devem estar unidos e se integrarem em um grande grupo. Neste caso, o próprio carnaval é uma instância dessa representatividade. E para consolidar essa interação com a sociedade, foi sugerido a criação de uma rede produtiva da cultura, na qual todos os setores se relacionem o fomentem as potencialidades locais. Os religiosos reclamaram da má conservação e utilização dos santuários da cidade.
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